Biologia em pauta

Precauções sobre o recebimento de sementes não solicitadas

sementes

Pacotes não solicitados com sementes, recebidos nas últimas semanas por moradores do Brasil, Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, originários aparentemente de países asiáticos, causam perplexidade e apreensão por parte de autoridades e da população.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), foram registrados no Brasil, até 6 de outubro, recebimentos de 258 pacotes em 24 estados e no Distrito Federal. Na área de abrangência do CRBio-01, o Mapa registrou o recebimento de 38 pacotes: 15 no Estado de São Paulo, 15 em Mato Grosso e oito em Mato Grosso do Sul. Os números referem-se apenas aos recebimentos comunicados às autoridades e o total de pacotes pode ser superior.

A teoria mais aceita para o mistério das sementes é a de que se trata de uma fraude conhecida como “brushing”, estratégia para inflar o posicionamento no ranking de sites de e-commerce. A empresa de e-commerce remetente cria uma conta falsa no nome do recipiente, entrega as sementes (escolhidas por serem leves, de baixo custo e não despertarem atenção nas máquinas de raio-X) e escreve para si própria um comentário positivo.

O Mapa informou que análises do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, localizado em Goiás, identificaram a presença de ácaro vivo em uma amostra, três fungos diferentes em 25 amostras e bactéria em duas amostras, além da possibilidade de pragas quarentenárias em quatro amostras (como plantas daninhas).

Debora Manzano Molizane, especialista no tema com doutorado pelo Instituto de Botânica, reforça a recomendação das autoridades do Mapa para que os pacotes sejam entregues nas representações do Ministério: “Se receber um pacote com sementes, o melhor é fechar a embalagem e entregar para as autoridades. Não se deve tocar no conteúdo, porque pode conter patógenos”.

Além do risco para os indivíduos, Debora reafirma o alerta das autoridades de que as sementes podem também causar danos para a agricultura e espécimes nativos: “Se as sementes forem plantadas, podem originar infestações, caso se adaptem bem ao nosso clima”.

Debora cita que há vários casos no Brasil de infestações causadas por espécimes invasores. Ela cita o caso da Impatiens, uma flor pequena. A espécie é nativa da África e adaptou-se muito bem às condições brasileiras. Na Reserva Biológica do Alto da Serra de Paranapiacaba, administrada pelo Instituto de Botânica, foi necessário fazer uma ação de erradicação da Impatiens, cuja proliferação impede o desenvolvimento de espécies nativas.

O Mapa pretende divulgar nas próximas semanas informações detalhadas sobre as análises das amostras de sementes e fazer novas recomendações para a população. Até lá, todo cuidado é pouco.

(Publicado em 13 de outubro de 2020)

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